Viver devagar é sem dúvida uma arte. Sobretudo em tempos instáveis, como estes que vivemos.
Desde há uns anos que a sociedade nos tem exigido algo perto da perfeição em quase tudo: na carreira, na maternidade/paternidade, no casamento ou, até na escolha do local onde passamos férias. Como não é possível estar em todo o lado, acabámos por arranjar mecanismos de compensação para toda a frustração que fomos acumulando, por achar que falhámos.
Enchemo-nos de roupas, sapatos e o último gadget lançado, encharcámos os nossos filhos de brinquedos e actividades extra-curriculares, atafulhámos as casas de electrodomésticos que nunca usámos e trabalhámos que nem uns mouros. Tudo isto em busca da perfeição que nos foi imposta, olhos dentro, por uma sociedade repleta de padrões perfeitos mas, virtualmente impossíveis de alcançar. A melhor metáfora para explicar este fenómeno, é a de um cobertor mais pequeno que nós: se tapamos os pés, destapamos a cabeça. E vice-versa. No entanto, nenhum de nós falhou: apenas seguimos a correria à nossa volta.
Slow Living
Ora, no extremo do espectro desta vida a mil à hora, está o slow living que, não é nada mais que uma vida vivida de forma consciente, mas, acima de tudo presente. E estar presente é termos a consciência de que, por vezes, é necessário parar para respirar.
Ter a capacidade de olhar à volta e poder contemplar.
Ter o poder de reorganizar prioridades.
Poder ficar em casa com um filho doente, sem que isso seja motivo de stress profissional.
Comer e poder saborear a comida.
Enfiar os pés na areia e poder senti-la.
A arte de viver devagar é grátis.
A essência
No fundo, a essência do slow living desliga-nos o piloto automático e nós permitimo-nos viver.
A organização seja do espaço, da vida ou da mente, é a nossa maior aliada e quando organizamos as gavetas externas, estamos a dar uma ajuda às nossas gavetas internas – às vezes é o suficiente para nos iniciarmos nesta arte de viver devagar!
Uma cozinha livre de electrodomésticos inúteis dá-nos liberdade de movimentos e clareza visual. Cozinhar pode passar a ser um momento de relaxamento.
Um roupeiro organizado, em que lá dentro existe apenas o que faz realmente sentido e falta, tornará as nossas manhãs mais tranquilas e, por consequência, os nossos dias melhores.
Um quarto de criança sem brinquedos espalhados, trará mais calma aos nossos filhos na hora de dormir.
Uma sala confortável, tornará a nossa chegada a casa mais serena.
Agora é pôr em prática. E desenvolver esta arte para a qual todos temos talento: viver devagar.
